Especialistas alertam: falha na portaria remota de condomínios raramente é da tecnologia
Um painel realizado durante a Exposec 2026, maior feira de tecnologia em segurança da América Latina, chamou atenção para um ponto sensível da segurança condominial: a maioria das falhas em sistemas de portaria remota não está no equipamento, mas em comportamentos humanos e procedimentos mal aplicados. O debate "Portarias Remotas: A Evolução e a Eficiência dos Serviços e sua Constitucionalidade" reuniu especialistas do setor e teve mediação de Selma Migliori, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança (Abese).
Participaram da discussão Guilherme Barbalho, diretor jurídico da Associação Brasileira das Administradoras de Imóveis (Abadi), José Julio Pereira, executivo de uma franquia de portaria eletrônica, e Ivo Junkes, sócio-diretor de uma plataforma de gestão condominial. Segundo os especialistas, ações simples do dia a dia — como emprestar a tag de acesso a terceiros, liberar visitantes sem identificação adequada ou ignorar protocolos de segurança — comprometem sistemas de portaria remota mesmo quando a tecnologia funciona perfeitamente.
Os painelistas defenderam que a segurança eficaz de um condomínio depende de três pilares combinados: equipamentos adequados, procedimentos bem definidos e pessoas treinadas para segui-los. Segundo a advogada especializada em direito condominial Cleuzany Lott, autora do conteúdo apresentado no evento, negligenciar qualquer um desses pilares cria brechas que nenhuma câmera ou fechadura eletrônica sozinha consegue resolver.
A discussão é especialmente relevante para condomínios do Distrito Federal que vêm adotando portaria remota como alternativa para reduzir custos com equipes de segurança presenciais — uma tendência em regiões como Águas Claras, Noroeste e Sudoeste. Para síndicos, a recomendação dos especialistas é simples: revisar regularmente os protocolos de acesso com moradores e porteiros remotos, e não tratar a tecnologia como solução definitiva sem o reforço de regras claras de convivência.
Fonte: Diário do Rio Doce





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