Plano de governo de Lula aposta no Sul Global, no Mercosul e em política própria para terras raras
O plano de governo registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pela candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição coloca a defesa da soberania nacional e o multilateralismo no centro da política externa brasileira. A Agência Brasil comparou as propostas de Lula e do senador Flávio Bolsonaro (PL), adversários no segundo turno, a partir dos documentos apresentados à Justiça Eleitoral.
O programa de Lula descreve um cenário internacional de "conflitos sem precedentes" desde a Segunda Guerra Mundial e promete oposição firme a qualquer tentativa de submeter o Brasil a interesses estrangeiros. A proposta defende uma política externa universalista, com diálogo com todas as regiões e diversificação de parceiros comerciais, além do aprofundamento das relações com o Brics, o G20, o Sul Global e o continente africano.
A integração regional aparece como prioridade, com o fortalecimento do Mercosul e a defesa da América do Sul e do Caribe como zona de paz. O plano também prevê uma política específica para mapear, beneficiar e agregar valor a minerais críticos e terras raras, evitando a simples exportação de matéria-prima. Na área de defesa, cita investimentos do Novo PAC, como os caças Gripen e os cargueiros KC-390 produzidos no país.
Em contraste, o plano de Flávio Bolsonaro defende maior aproximação com Estados Unidos, Israel e Argentina, a adesão do Brasil à OCDE e a atração de capital estrangeiro para a exploração de terras raras. Os dois candidatos também divergem sobre as tarifas impostas ao Brasil: Lula atribui a articulação das sanções à família Bolsonaro, enquanto Flávio responsabiliza a agenda do atual governo.
Embora pareçam distantes do dia a dia, as escolhas de política externa afetam o comércio, o câmbio e o preço de insumos usados em obras e na manutenção predial, como aço, cobre e equipamentos elétricos, itens que pesam no orçamento dos condomínios do Distrito Federal. O segundo turno das eleições será em 25 de outubro.
Fonte: Agência Brasil. Foto de capa: Ricardo Stuckert/Lula Oficial (CC BY-SA 4.0)






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